PROFESSORES INSENSÍVEIS?
É comum em tempos difíceis na educação os profissionais buscarem alternativas para seus direitos e assim defender a profissão de qual faz parte, e esta muitas vezes são greves um direito garantido na constituição.
Muitos criticam e chamam os professores de insensíveis e mais umas coisas, só porque cobram algo a que tem direito, neste caso os profissionais sempre são considerados culpados por não compreenderem a situação dos pobres alunos. Mas eles como gestores ou qualquer outra função não se sente como professor. Por isso nunca vão entender a dor e a necessidade do professor ou talvez nem queira entender porque não pode compreender. Não estam ali para tomar as dores do professor. Está apenas para servir ao lado de quem manda.
Nem o professor tem a certeza de que vai entender e sentir como professor quando estiver em outra função. Se não sentir, não é esse ser que leva a vida a ensinar aos outros a como ser gente, solidário, compreensivo e sensível, sem falar nos conhecimentos que estão transmitidos e que fazem profissional um dos mais gabaritados para um cargo qualquer.
Temos hoje governadores, prefeitos, vereadores, líderes comunitários que, embora tenham assumido a missão de professor, nunca se esforçaram pra dizer ou demonstrar que deixaram colegas na profissão e que dariam a vida para seguir sempre juntos. E dizem que amam a sala de aula. Amam nada, detestam. Na educação, ou você ama ou você deixa, como era o slogan do Brasil ditatorial, você não pode fingir que é professor, tem que ser, tem que amar. Mas os professores são chamados de insensíveis porque amavam muito e queriam o melhor para todos.
Existem professores na rede municipal que deram entrada em processos há 10, 15 anos para mudar de nível, conseguir alguma promoção. E até agora, nenhuma resposta do executivo municipal.
Vejam 15 anos esperando que alguém se compadeça da situação do professor e resolva dar o que ele tem direito! O professor é insensível? Quando faz greve, dá apenas o que ele deveria ter adquirido há 15 anos? Existem escolas funcionando pela caridade do governo federal, pois não tem condições de funcionar falta o essencial que é o amor, a sensibilidade. Mas não do professor, que está lá tentando sentir como o aluno. Que está incentivando o aluno a não desistir de estudar só porque não tem uma educação que ele deveria ter. Será que vão dizer que os professores são culpados pelo fracasso educacional, por que estão reivindicando os seus direitos? Por pararem dois dias? Será que vão esquecer que os alunos tem direito a uma educação de qualidade durante 200 dias?
Será que vão esquecer...? Da capacitação dos professores que não existe, da evasão escolar, da repetência e das crianças que já nasceram discriminadas, não por fracassarem, mas porque não tiveram oportunidade de freqüentarem uma educação de qualidade e que tem direito. Está na hora de acabar com o fascismo dos que vivem nos ar condicionados direcionando os recursos de crianças e professores pobres para o bem estar dos que apenas dizem gostar de educação.
Existem professores que dependem desse dinheiro para continuar sustentando a família. Eles são pobres também como os alunos. E outros que passando da idade, não se aposentaram porque esperam que, um dia, saia essa promoção solicitada, pois sem ela sua aposentadoria fica defasada.
Para concluir, cito Brecht: “A um rio que tudo arrasta todos chamam de violento, mas ninguém chama de violentas as margens que o pressionam há séculos”.
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